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O Misterioso Voo do Pavão

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Por: Lucas Toledo        Somos redutos de escolhas por toda a vida. E, de escolhas, consolidamos suas consequências que tracejam nosso caminho. O voo do Pavão foi o que me fez enxergar. Sentado próximo ao quintal da casa de meu avô, deparei-me com a escolha de esperar. Esperar para sanar uma dúvida, eliminar uma curiosidade e alimentar um conhecimento. Esperar pelo voo do pavão era uma escolha que traria desejos e frustrações. E surpresas.        Num dia de verão, meus amigos me convidaram para conversar sem motivos, contar novidades e sobre o que almejavam. Meus pais programaram uma viagem despretensiosa, com o anseio de descansar da correria diária na companhia da família. Haveria até o jogo da final de um campeonato de futebol que passaria na televisão. Mas fiz a escolha: esperar.        Estive sentado, quieto, com poucos movimentos e tantos motivos para me movimentar. O pavão parecia notar minha observação e, como...

O Enigma das Rosas

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Por: Lucas Toledo O Enigma das Rosas OU Canteiro Central da Casa Rósea   “Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno” (Machado de Assis)            O mar de rosas se abriu naquele leve e esquecido canteiro do quintal, outrora triste e quase morto, do senhor de 85 invernos vividos não tão gélidos, porém tão intensos, que vivia na sorridente cidade de Amparo.   Canteiro redondo, central e que servia de reduto no jardim que um dia tantos admiraram e que, nesta época em que se passa, era visto com certo sentimento de angústia pelos que viam de fora. O mar de rosas só se abriu quando os incansáveis anos de inverno resolveram primaverar-se. E, assim, temos nosso Benjamin: Saudosista de anos que não voltam mais, nostálgico de anos de aprendizado – e, por vezes, tido como perdidos – e desbravador de tantos anos que ainda viveria.        Quando não se tem família, o vazio toma conta ...

A Longa - e Breve - História de uma Prostituta e um Espanhol Bêbado

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Por: Lucas Toledo        E quando mesmo os relógios dizem não acontecer mais nada, surge Sebastian Gael Porteña. Veio para o Brasil em busca de oportunidades de emprego e o que não lhe faltou foi a oportunidade de viver. Mas a vida, que nos apresenta tantas oportunidades, não nos descreve quais as melhores, quais as indiferentes e quais as irreversíveis vielas podemos escolher. E Gael começou bem até. Com 26 anos, descia do ônibus 5166 na Sé e procurava encontrar seu caminho. Não caminhou muito. Encontrou na Rua Direita aquilo que nos próximos 5 anos seria sua vida: O Chapeleiro.        A primeira viela foi certeira. Havia encontrado um emprego e, de sobra, um lugar pra poder ficar, nos fundos da loja. O Chapeleiro foi um dos pontos mais bem vistos na nossa Belle Époque Tupi, mas hoje contava os minutos para se tê-la falida. Não se veem mais tantos chapéus na rua, ora. Gael, junto com suas economias, guardou consigo...