Um País com Números de Guerra


            A sensação foi de que aceitamos. É isto: Aceitamos o cotidiano de nossas vidas mesclado à violência. Mas não é qualquer violência. É uma violência com números semelhantes ao da Guerra na Síria.
            Segundo o Monitor da Violência, índice nacional de homicídios criado pelo Portal de Notícias G1, foram registrados 26.126 assassinatos, apenas nos primeiros 6 meses deste ano. Número que deve ser ainda maior, pois Maranhão, Tocantins e Paraná, ainda não haviam disponibilizados a estatística local. Isto dá uma média de 1 assassinato a cada 10 minutos. E por mais que pareça sensacionalista, aplique esta conta ao seu dia-a-dia.
O estado do Rio de Janeiro atingiu um nível tão alarmante que o Governo Federal passou a intervir, com o uso das Forças Armadas. E por mais questionável que seja tal atitude, o modelo de combate ao crime organizado estava falido. Hoje, ainda não há dados que apresentem melhora na situação do estado fluminense.

       Mas tal momento vivido no Rio mostra como Políticas Públicas sobre Segurança precisam ser debatidas com urgência no âmbito Nacional. E mais ainda: É preciso compreender o contexto em que tal violência surge e os motivos pelos quais vem aumentando. A desigualdade social é um exemplo claro que mostra como a violência torna-se um reflexo. E por isso, são necessárias medidas efetivas, que tragam resultado, e não ações paliativas ou discursos de ódio, que aumentam ainda mais este quadro de mortes.

       Além do combate ao crime organizado, atingindo as células matrizes, os núcleos de comando, é preciso desmantelar o elo de facções com poderes políticos. Que me permita o diálogo com o filme Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha: É um retrato fictício de como o sistema por trás da violência nas ruas é maior, e que pode, facilmente, ser aplicado na nossa realidade.


(Coluna Torpedo do Dia, publicada em 31 de Agosto de 2018, na edição nº 6.870 do Jornal da Cidade, de Poços de Caldas)

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